domingo, agosto 30, 2015

O que as pessoas andam dizendo?

Dia desses um grande amigo chegou da Argentina e me trouxe de presente um livro intitulado: "La Gente Anda Diciendo". Segundo ele, o livro era a minha cara. Agradeci o presente, guardei o livro e segui a minha vida.

Numa bela manhã de mau humor, sentado no trem ao cheiro maravilhoso e sincero do Rio Pinheiros em dias de calor paulistano, lembrei que o livro estava na minha mochila e que poderia ser a minha salvação.

Foram 5 estações passando mal de rir e quase fazer xixi na calça. Eu estava dando tanta risada com o que lia que uma mulher sentada ao meu lado me perguntou do que eu estava dando rindo tanto. E, nesse looping de risadas, obviamente, eu não consegui nem responder pra ela. Saí do vagão dando mais risada ainda.

O livro traz frases soltas de conversas ouvidas pelas ruas sem revelar muito do contexto em que elas foram faladas, retratando apenas o naipe das pessoas responsáveis pela frase solta. São coisas como: "Mamãe, eu não vou querer ter filhos porque não quero colocar no mundo uma pessoa que não sei se quer nascer" - Mulher de 25 anos conversando com sua mãe na fila do supermercado de Buenos Aires e, na página seguinte, uma outra frase que faz parte do mesmo tema mas foi falado por outra pessoa: "Mamãe, mas eu não pedi pra nascer!" - criança dando chilique num supermercado de Montevidéu porque a mãe não queria comprar um chocolate.

A verdade é que eu não sei se o livro era tão engraçado assim. Mas foi tão bom pra mim naquela manhã que quando cheguei no trabalho, as pessoas pensaram que eu tinha transado a noite inteira.

Na hora do almoço fui me encontrar com um diretor de uma agência que queria me fazer uma proposta de trabalho. Acabei tendo a genial ideia de escolher um restaurante que tem as mesas bem próximas umas das outras. Isto é um problema se você está tendo um date, mas esse não era o caso e essa é outra história.

Conversa vai, conversa vem, o diretor da agência começou a falar sobre a proposta. Vez ou outra, sob influência do livro da manhã, eu ouvia frases soltas das conversas das outras pessoas nas mesas ao lado - rindo mentalmente. Foi quando, de repente, o diretor da agência aumenta o tom de voz enquanto o restaurante fica em silêncio e solta um:

- ENTÃO BRUNO, ME DIGA, QUAL É O SEU PREÇO????

E todas as pessoas do restaurante, incluindo garçons e clientes, olharam para nossa mesa pra saber qual era o contexto em que aquela frase foi dita.

E pra explicar que não tinha nenhum cunho sexual envolvido? Hahahaha.

Achei melhor fingir demência e pedi mais uma água tônica com gelo e limão.

Saindo de lá, ouvi uma mulher falando: "É, e aquilo me pegou bem lá dentro...." e fui embora dando risada.

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Ah, esse livro é uma evolução dessa página no facebook: https://www.facebook.com/LaGenteAndaDiciendo?fref=ts
Divirtam-se!

sábado, maio 23, 2015

Não tá legal!

Até quando eu vou precisar sentir aqui dentro esse sentimento que só você faz acontecer? Sério, não está legal. E por mais que eu tente me privar da sua presença, o mundo dá um jeito de te colocar na minha frente me mostrando que não, você ainda não foi embora.
Não te desejo dores, nem amores. Só não quero mais esses sabores!

quarta-feira, abril 29, 2015

It's not you, it's me.

Minha maior questão é não entender como as pessoas não sentem da mesma forma que eu. Sou assim, possessivo e sofro demais com a possibilidade de rejeição. E daí que procuro nos outros, atitudes que sirvam de desculpa para uma auto sabotagem sem fim. Tudo para que eu abandone antes aqueles que insistem em ficar. Te digo tchau com o meu coração apertado, porque no fundo, eu sei que esse jeito que pisca os seus olhos, daqui uns 5 anos, não será tolerado.

quinta-feira, abril 02, 2015

Dia a dia

Todos os dias acordo com vontade de dormir. 7 da madrugada é muito cedo para eu levantar da minha cama que tanto me chama. Me troco e vou direto pra academia, onde faço os exercícios todos correndo para que eu possa dormir mais um pouquinho no colchão do abdominal.

Tomo banho, esqueço de enxaguar os meus ouvidos cheios de espuma e escovo o dente já pensando na roupa que eu vou colocar de acordo com a previsão do tempo que nunca acerta. Coloco uma camiseta branca e uma calça jeans porque eu estou com preguiça de pensar.  Mas levo uma blusa para caso faça frio, um guarda-chuva para caso chova e uma outra camiseta para caso a cidade alague e eu tenha que dormir na casa de alguma alma caridosa.

Saio nessa viagem diária ouvindo as minhas músicas preferidas. Às vezes consigo fugir dos meus desejos, mas normalmente entro na padaria da minha rua, onde os atendentes já sabem que eu vou pedir um croissant de calabresa pra viagem porque vou comendo no caminho do meu ônibus. Além disso, as moças do caixa já sabem que não quero a sacolinha e que eu não preciso da minha via do cartão.

No ônibus, sento do lado direito porque não gosto de pegar o sol da 9h dessa cidade que é só gente, concreto e carro. Entro no vagão do metrô calculando exatamente qual das portas me deixará mais próximo das escadas rolantes da estação que vou descer.

Abro meu livro na linha amarela. É o trecho mais longo do caminho e consigo ler umas 3 ou 4 páginas do meu livro que há meses está na minha mochila. Me incomoda quando alguém está sentado ao meu lado falando alto ao telefone. Então mudo de lugar porque o incomodado sou eu e ando praticando a tolerância com aqueles que são diferentes de mim.

Subo todas as infinitas escadas da estação Pinheiros por punição pelo croissant que comi 30 minutos antes para que assim eu consiga continuar a minha viagem sem grandes arrependimentos na vida.

Entro no trem e tento não encostar em ninguém. Coloco meus óculos escuros para não precisar enfrentar o sol que sabe que estou atrasado para algo que não tenho muito horário.

Chego na agência, leio meus e-mails, almoço com algum amigo, participo de algumas reuniões, monto alguns planos e apresentações. Fico até um pouco mais tarde resolvendo algum problema que sempre aparece pra mostrar que nem tudo na vida está sob o meu controle.

Coloco meus fones de ouvido e vou em direção ao ônibus. Sento no fundo porque prefiro que ninguém sente do meu lado. Não adianta muita coisa e tento descansar um pouco enquanto a pessoa que sentou do meu lado está fazendo fofoca da vida alheia para o amigo que está sentado na frente. Sinto vergonha e pena.

Chego no terminal onde espero muito tempo pelo último ônibus onde os mendigos bêbados sempre aparecem para conversar comigo num walking dead da vida real. Finjo demência e entro no ônibus com o cobrador que recebe pra dormir no ponto.

Chego no meu prédio e o porteiro nunca responde o meu boa noite. Converso com meus pais sobre o meu dia sempre tão cheio de detalhes. Tomo meu banho. Deito na minha cama. Leio mais um pouco e durmo.


Tudo isso, pensando em você.

domingo, março 22, 2015

Pra você que já está indo embora

Um dia prometi para mim mesmo que nunca mais alguém teria o direito de me fazer triste. Nem por um dia. Nem por um minuto. Já passei por isso, não quero mais.
Acredito muito na história em que atraímos coisas boas quando estamos felizes e fazemos o bem. Tenho me esforçado muito no meu trabalho, tenho sido mais tolerante com as pessoas e me preocupando mais com minha família e amigos. Tenho batalhado sozinho porque a cada dia mudo meus objetivos e não quero ficar dando muita satisfação para as minhas inconstâncias.
Foi aí que você apareceu. Cheio de sorrisos, ideias e gentilezas me mostrando que existia alguém que também estava escrevendo uma história interessante. Na verdade deve ter um monte por aí na mesma, mas eu estava era empolgado para ter ouvido todas suas - e olha que para conseguir prender a minha atenção precisa de muito. E durante umas semaninhas, meus dias só começavam e terminavam com seus bons dias e boas noites com, no meio da tarde, uma ligação pra mostrar que as palavras tinham uma voz que eu adorava. Abri meu coração contando coisas que tinha guardado para compartilhar com apenas as pessoas que precisavam entender o meu conceito. Espero que você tenha entendido essa parte.
Eu vejo o amor como um abraço: os dois precisam estar de braços abertos para que a coisa realmente funcione. A gente se abraçou algumas vezes e ainda sinto seu cheiro quando me pego pensando em você. Mas prometo que, depois de uma semana tão legal, eu não vou deixar que o fato de você estar indo embora seja motivo suficiente para que eu ache a vida injusta. Porque a vida é linda. E era só isso que eu queria ter podido mostrar pra você.
Fica vai!

domingo, fevereiro 22, 2015

Mais um!

Nunca estou preparado pra te encontrar. Acho que nunca estarei. É estranho pra mim olhar para alguém que parece que existe apenas nos meus pensamentos. Lá você estava sempre na cama ao meu lado, olhando nos meus olhos e me enchendo de palavras que me faziam ser feliz. Lá eu ainda lembro do seu cheiro misturado com o meu. Das surpresas que me faziam sentir um cara especial. A questão é que toda vez que te vejo, toda vez que você aparece estourando a minha bolha, eu percebo que você há muito já não é quem eu um dia idealizei. A verdade é que não consigo mais nem olhar nos seus olhos para saber se lá dentro ainda existem essas lembranças que explodem nos meus pensamentos quando o meu assunto é você. Teus olhos refletem um outro brilho que agora não ofusca mais a minha visão. E é uma pena porque um dia pensei que você fosse único, mas hoje percebi que fez questão de ser só mais um. E lá vamos nós!

TGIM

Do alto da minha vida de grandes janelas fechadas, vivo um daqueles momentos de óculos escuros sem luz do sol. Os meus joelhos e cotovelos ralados me lembram de fatos que eu definitivamente não me recordo de acontecer. E por mais que a vida muitas vezes insista em me mostrar que nem tudo é felicidade, eu ainda assim acredito que o dia acaba para que eu possa recomeçar. Que venha a segunda-feira!

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Ação e Reação

Todos os dias eu acordo com a sensação que algo incrível vai acontecer. E quando o dia chega ao fim, deito minha cabeça nos meus travesseiros para pensar naquilo tudo que passou. Tem vezes que parece que nada acontece e é aí que eu procuro nas coisas mais simples algo que fez viver valer a pena.
Tem dia que encontrar alguém que me abraça quando me vê, me enche de felicidade. Há outros em que um elogio inesperado me troca as palavras óbvias por um sorriso sem graça. Às vezes também abro um sorriso quando acerto na escolha de um prato diferente em um restaurante qualquer.
Nem sempre essas coisas acontecem comigo para me deixar contente. Tem vezes que a conquista de um amigo ou uma foto dos meus sobrinhos fantasiados de alguma personagem muda meu humor. E meus dias têm se passado assim, procurando sempre alguma coisa que deixou a minha vida mais alegre.
Nessa semana, enquanto montava praticamente duas apresentações ao mesmo tempo, ouvi o barulho do meu email me chamando para dar uma pausa. E quando abri, tive 10 razões para ficar feliz. Era uma mensagem que continha 10 feedbacks feitos por alunos de um curso em que ministrei uma palestra semana passada.
Eu montei essa apresentação com tanto carinho, pedi opinião pros meus amigos, inseri umas fotos que meu irmão disse que ficaria engraçado e fiz a palestra em casa pra minha mãe caindo de sono assistir. Fui na fé que tinha um pouco da felicidade que eu tenho recebido de todos os lados. Eu até estava um pouco nervoso pela grande responsabilidade, tentei apresentar da maneira mais simples de todas: sendo eu mesmo.
Eu nunca gostei muito de física na escola. Era a única matéria que eu realmente tinha que prestar mais atenção. Mas a sensação de entender um problema sempre me causava um alívio inexplicável.
E aí, anos depois, fica óbvia pra mim essa história toda de ação e reação: as coisas incríveis não acontecem sozinhas. Somos nós mesmos que as fazemos acontecer.